Luiza Helena Clode: documentos de um percurso plural
A exposição procura dar visibilidade ao percurso profissional e intelectual de Luiza Helena Clode(Funchal, 1936) através dos documentos que acompanharam o seu trabalho: livros, manuscritos, catálogos, fotografias, recortes de imprensa, cadernos de notas e correspondência. Organizados em três núcleos, correspondentes às suas três formações, estes testemunhos permitem seguir, ao longo de várias décadas, um percurso construído entre criação artística, ensino, investigação e serviço cultural, e afirmam o valor dos arquivos pessoais como património cultural e memória coletiva.
Exposição:
Núcleo I –Da Formação em Belas-Artes à Criação Artística
A formação artística de Luiza Helena Clodecomeçou na primeira turma da secção de Belas-Artes da Academia de Música e Belas-Artes da Madeira em 1955e culminou em 1962 com o Curso Superior de Escultura da Escola de Belas-Artes de Lisboa. Este núcleo reúne fotografias de ateliê, retratos escultóricos, desenhos de estudo do corpo humano, assim como referênciasàtese final de escultura, restaurada e apresentada publicamente em 2015. Mostra ainda os registos caricaturais, as experiências formais em diapositivo orientadas para a abstração, entendidas pela autora como «pinturas para ampliar», e o percurso criativo posterior, dos bustos de Frederico de Freitas e de Max à exposição individual de desenho O Lugar dos Outros(2020). A formação em Belas-Artes permaneceu uma matriz constante, repercutindo-se na criação, no ensino e na leitura crítica da cultura visual.
Núcleo II. Da formação em Magistério Primário à Educação e Ensino Artísticos
Concluído o curso do Magistério Primário em 1959, Luiza Helena Clodedesenvolveu uma longa atividade pedagógica nos ensinos liceal, preparatório e superior, como professora de Educação Visual, História de Arte, e na formação de professores, educadores de infância e auxiliares de educação. Os dossiês pedagógicos, os materiais didáticos e os trabalhos de alunos aqui reunidos documentam uma conceção do ensino como lugar de criação e experimentação. Esta dimensão cruzou-se desde cedo com a literatura para a infância: dos poemas e narrativas publicados em A Canoa, A Ondae Malta do Manelao primeiro livro, Mimi e os Sapatinhos(1979), passando pelos poemas premiados no Festival da Canção Infantil da Madeira, até Do Sono Verde(2026), livro que evoca os jardins da Quinta Martins, onde nasceu, como matriz afetiva e imaginativa de toda a obra.
Núcleo III. Da Formação em História à História da Arte, do Património e da Museologia
A licenciatura em História, concluída em 1983 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (extensão do Funchal), consolidou os instrumentos de investigação que marcaram o trabalho de Luiza Helena Clodenas áreas da história da arte, do património e da museologia. Este núcleo percorre os estudos sobre a arte sacra madeirense, a arte flamenga, a azulejaria, os tetos de alfarge e o Bordado Madeira, bem como as colaborações em obras nacionais de divulgação patrimonial. Documenta ainda a sua ação no Museu de Arte Sacra do Funchal, onde exerceu funções desde 1976 e que dirigiu entre 1996 e 2015, promovendo exposições, catálogos científicos e, em 1994, a criação dos primeiros Serviços Educativos em museus da Madeira.


Título: Luiza Clode: documentos de um percurso plural
Organização/Promoção: Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL)
Curadoria: Martinho Mendes
Investigação e seleção documental: Martinho Mendes (arquivos públicos e biblioteca da DRABL; arquivos privados da família de Luiza Clode)
Textos e legendas: Martinho Mendes
Digitalização: Martinho Mendes
Design gráfico e conceção do layout expositivo: Leonardo Vasconcelos, em articulação com o curador
Execução de impressões e equipamentos expositivos (caixas de acrílico): Manica Soluções
Montagem: Equipa da DSCR (painéis da exposição e documentação nas vitrines)
Empréstimo de peças: Família de Luiza Clodee colecionadores particulares
Agradecimentos: Família de Luiza Clodee todos os emprestadores particulares

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